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Mãe, cadê a minha cueca?*



Texto postado originalmente no Linkedin!!!

Supermãe - Ziraldo





Sou uma mulher antes de qualquer coisa.

A frase acima parece engraçada para você? É familiar. Tens filho (a)? Então senta que lá vem história.


Preciso dizer que nesse exato momento, estou sentada, com uma caneca de chá de erva cidreira para aliviar as tensões de um dia relativamente comum, se não fosse às mesmas cobranças de sempre e que acabam por me tirar do sério, mais não posso ficar nervosa. Afinal não posso ficar nervosa. Não devo ficar nervosa...

Parece óbvio, mais preciso lembrar para todos, todos os dias que antes de qualquer coisa sou uma mulher, depois vem à mãe, estudante e até mesmo profissional. E durante esse isolamento social, é gritante sustentar isso. De verdade, real mesmo que isso período tudo é multiplicado por sei lá, 1 milhão de vezes ou até mais. Bem exagerado mesmo por que sou dessas.

Ao escrever estas linhas, fico pensando: é difícil separar estas funções de nós mulheres ou estamos mesmas tão atreladas com o lado maternal, que esquecemos que também temos necessidades e precisamos satisfazê-las?

Não? Jura que as mães também têm essas coisas. Ache certo que sim. 

Parece bobagem, mais já escutei algumas vezes os dizeres "mãe não chora, não fica doente, minha mãe não pode fazer sexo (minha mãe não pode ter outro relacionamento mesmo que ela esteja divorciada ou viúva), mãe não pode beijar na boca" e por aí vai.

Essas frases martelam na minha cabeça, daí a indagação: estaria eu, fadada a ficar sozinha para o resto da minha vida? Afinal sou solteira (ainda!). Ou ainda tenho a possibilidade de encontrar a minha tampa, afinal sou aquela panela mega disputada nas Casas Bahia.

Chega a ser engraçado escrever isso, mais acreditem: Tem mulheres que pensam e agem justamente desta forma, por acreditarem fielmente que após o nascimento dos seus rebentos, a feminilidade deixa de existir. Ser feminina é o oposto de maternidade, na concepção de algumas pessoas. Hã!? Como assim, não pode ser mais é. Acredite nisso.

Andar arrumada significa que algo deixou de ser feito. Se for ao salão, com certeza deixou de comprar a fralda, leite e seus derivados para a pobre vitima indefesa. Se necessitar sair, no sentido de se divertir e deixou seu rebento com alguém é taxada de tudo, de relapsa para baixo. Nem pensar viu coração! . Não pode. Lembrando que a mãe deixou a criança com a babá, avós, tia, amiga ou mesmo com os animais de estimação. Nesse momento nem o pai serve (e olha que foi ele quem fez, ou alguém dúvida que foi obra do Espírito Santo ou o bebê veio da cegonha, do repolho?).

E assim a vida toma outro rumo. Como? Ora o dia a dia não permite que elas pensem em outra coisa, se não nas atividades domesticas, cuidados com a casa, filhos e cônjuges (se caso a mesma possuir um), trabalhos externos. A sociedade impõem situações, amarras e limites difíceis de suportar. 
Diante de tanta coisa para fazer, onde sobra tempo para ser mulher? O dia realmente tem 24 horas para nós, pobres mães de família? Claro que não, mais se você pensa que isso é motivo para desculpa, ledo engano. 

Acho melhor aumentar o seu dia em pelo menos 28, 32 horas, assim dará tempo fazer unha, cabelo, arrumar uma roupa legal para sair com o boy. Sair com o boy? Pode ser mais que tal sair com a amiga mesmo, nem que seja aquela que faz parte do grupo de mães da escola do filho, existe vida além das 4 paredes da nossa casa.

Quando se trata de mãe de adolescente, a coisa ainda piora. Onde encontrar o equilíbrio nessas horas? Terapia, acupuntura. Que tal ouvir a sua banda favorita para relaxar? Eu mesma sou apaixonada pelos Backstreet Boys, escuto há anos (nesse exato momento sofro, pois eles estiveram no Brasil no mês de março e não consegui vê-los).

Para o meu filho parece coisa do outro mundo. Sei lá, os nossos filhos acabam por trazer uma ideia deturpada de nós. Eu acho que eles se esquecem de que também já fui adolescente como ele. Não nasci com 35 anos.

Bom, enquanto me distraia escrevendo isso, eis que surge o célere pedido: Mãe, cadê a minha cueca? Realmente, fiquei 5 minutos pensando na resposta, enquanto o ser procurava pela bendita peça do vestuário masculino. Fico imaginando, matutando, será que é para isso que coloquei este ser no mundo? Claro que não. A maternidade é muito mais que responder perguntas do tipo onde está minha cueca ou o que temos para comer hoje. Mais, enfim depois daquela pirraça marota, respondi indicando o local onde foi colocado as cuecas limpas.

O que reflito com relação a isso? É necessário desmistificar o lado materno. Nem sempre é romântico como também não é padecer no paraíso. Vejo a maternidade como uma empresa: precisa estar estruturado, organizado para funcionar. Como mãe, gosto de conceder aquele bônus quando merece, mais ao mesmo tempo fico fiscalizando para dar aquela chamada quando for necessário.

Mais, jamais esqueço que sou uma mulher, antes de ser mãe. Fazendo cálculos, me tornei mãe há 14 anos, antes disso era uma jovem de 20 e poucos anos. Claro que, ao me tornar mãe no início da minha juventude, tudo ficou misturado por um tempo, quase não tive como separar uma coisa da outra. Agora mais madura, consigo ver perfeitamente essa separação. Posso sim ser mãe e mulher, uma coisa não anda separada da outra.

O que quero dizer com isso: Veja a vida, a maternidade, a relação com seu (us) filho (os) ou filha (as) com outro olhar, não com a visão dura engessada das gerações antigas. Aproveita esse período de isolamento e ressignifica as coisas, veja a vida com outros olhos, se permita viver. Te digo: tudo muda, as pessoas mudam, a única coisa que não deixa de acontecer é aquela pergunta:

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